A taxa média de juros no empréstimo pessoal no Brasil foi amplamente discutida em 2025, mas quase sempre pelo ângulo: o que as instituições declararam ao Banco Central, o que o Procon coletou nas seis maiores. O que faltava era o ângulo oposto: o que chegou até quem pediu crédito.
Para preencher essa lacuna, a Juros Baixos criou o Índice Juros Baixos de Empréstimo, um indicador trimestral público baseado em dados reais de comportamento do tomador de crédito.
A edição Q4/2025 analisou mais de 10 milhões de solicitações e mais de R$ 50 bilhões em crédito demandado entre outubro de 2024 e dezembro de 2025.
O que esses dados revelaram vai além das taxas: mostram quem pediu, por quê, de onde e quem ficou de fora.
O que é o IJBE?
O Índice Juros Baixos de Empréstimo (IJBE) é o indicador trimestral público da Juros Baixos que monitora o comportamento do mercado de empréstimo pessoal no Brasil.
A cada edição, o índice consolida dados de simulações e contratos realizados na plataforma, cruzados com séries macroeconômicas do Banco Central, IBGE e Google Trends. O seu diferencial está na origem dos dados.
Todos os dados são anonimizados, agregados e tratados em conformidade com a LGPD. Os relatórios são públicos, de acesso gratuito e podem ser citados livremente por imprensa, pesquisadores e instituições financeiras.
O IJBE registra as ofertas que chegaram ao tomador em simulações reais, com taxa, prazo, valor e o comportamento de quem buscou crédito de fato. Não é uma pesquisa de intenção, é o comportamento registrado em transação. A base do Q4/2025 cobre 15 meses, com ticket médio solicitado de R$ 4.331.
Metodologia do Índice Juros Baixos de Empréstimo
O IJBE usa a base proprietária das simulações e contratos da plataforma da Juros Baixos para mapear o comportamento real da taxa média de juros no empréstimo pessoal, através de quem busca crédito.
Os dados da plataforma são cruzados com séries do Banco Central (Selic, ICC, concessões PF não-rotativo), IBGE (IPCA, PNAD Contínua) e Google Trends para contextualizar o cenário macro de cada edição.
Além disso, o índice não traz uma amostra probabilística do universo brasileiro. Essa limitação está descrita no relatório público de cada edição.
O que o IJBE Q4/2025 revelou
O paradoxo do crédito em 2025: demanda cresceu junto com os juros
O Copom realizou 8 altas consecutivas entre julho de 2024 e junho de 2025, levando a Selic de 10,75% para 15% ao ano, um patamar mantido até março de 2026, quando o Banco Central fez o primeiro corte em quase dois anos, reduzindo para 14,75%.
Nesse ciclo, o custo do crédito (ICC/BCB) subiu de 21,7% para 23,7% ao ano. O efeito esperado seria retração na demanda, mas as simulações de empréstimo cresceram 2,7 vezes entre junho e setembro de 2025.
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado de 4,26% em 2025, com pico de 1,31% em fevereiro, corroeu o poder de compra das famílias. Quem precisa pagar uma conta vencida não tem a opção de adiar.
O resultado foi o paradoxo que o IJBE documentou: mais gente querendo crédito, menos gente conseguindo.
Comportamento: pagar contas virou a principal razão para pedir empréstimo
Em maio de 2025, a alta foi de 17,4 pontos percentuais em um único mês, a maior variação da série. Depois disso, a proporção nunca voltou ao patamar anterior: em dezembro de 2025, chegou a 91,1%.
O empréstimo pessoal deixou de ser instrumento de consumo. Virou, para a maioria dos tomadores, um mecanismo de gestão de dívidas.
| Período | Simulações motivadas por contas mensais |
|---|---|
| Outubro de 2024 | 71,5% |
| Abril de 2025 | 67,0% |
| Maio de 2025 | 84,5% |
| Dezembro de 2025 | 91,1% |
Fonte: IJBE Q4/2025 – Juros Baixos. Base: out/2024 a dez/2025.
Inclusão financeira: o gap que o crédito digital ainda não fechou
Negativados representam 46% de todas as simulações na plataforma da Juros Baixos, mas apenas 19% das contratações em janeiro de 2026.
Uma diferença de 27 pontos percentuais que expõe uma barreira estrutural já conhecida: quem mais precisa de crédito é exatamente quem tem mais dificuldade em acessá-lo.
O recorte regional aprofunda essa leitura, mostrando que o Nordeste concentra 25% das buscas por empréstimo pessoal, mas responde por apenas 17% das aprovações, com uma taxa 40% abaixo da média nacional.
É o maior desequilíbrio regional da série, reflexo de maior negativação, menor renda formal e barreiras de acesso ao crédito digital.
Geração: jovens de 18 a 25 anos cresceram 15 vezes em um ano
Em outubro de 2024, essa faixa etária representava 3,4% do mix de contratos. Em novembro de 2025, chegou a 14,4%, crescimento de 15 vezes em 13 meses.
A geração chega ao crédito digital pelo acesso mobile, tendo menor renda formal e maior rejeição pelo sistema bancário tradicional.

Dúvidas frequentes sobre sobre o IJBE
Veja como funciona o IJBE e alguns apontamentos sobre a taxa média de juros no empréstimo pessoal.
Com que frequência oÍndice Juros Baixos de Empréstimoé atualizado?
A cada trimestre. Cada edição do IJBE (Índice Juros Baixos de Empréstimo) cobre o período anterior e traz comparativos históricos entre quarters, além da contextualização macroeconômica com dados do Banco Central e do IBGE.
Posso citar o IJBE em matérias ou pesquisas?
Sim. Os relatórios presentes no Índice Juros Baixos de Empréstimo têm metodologia transparente e podem ser usados livremente, desde que a Juros Baixos seja identificada como fonte. Solicitações de entrevista ou dados adicionais podem ser solicitados através do e-mail redacao@jurosbaixos.com.br.
O IJBE mede o mesmo que os dados do Banco Central?
Não. O Banco Central consolida as taxas que as instituições financeiras reportam e o IJBE registra as ofertas que chegaram ao tomador em simulações reais. Os dois índices se complementam, só que respondem a perguntas diferentes.
Qual o principal achado do Q4/2025 sobre a taxa média de juros no empréstimo pessoal?
A concentração de intenção, apontando que 91,1% das simulações de empréstimo em dezembro de 2025 tinham como objetivo pagar contas, contra 71,5% em outubro de 2024.
O empréstimo pessoal virou, para a maioria dos brasileiros, um instrumento de gerenciamento de dívidas, não de consumo.
Acesse o relatório completo
O relatório IJBE (Índice Juros Baixos de Empréstimo) Q4/2025 está disponível com dados desagregados por mês, perfil demográfico, recorte regional, série histórica e contexto macroeconômico no site oficial da Juros Baixos.
Próxima edição do IJBE: Q1/2026. Para solicitações de imprensa: redacao@jurosbaixos.com.br.
