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Crédito do trabalhador: o novo consignado para empregados CLT em 2025

Por Guilherme Nasser

5 min de leitura
Consignado
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Crédito do trabalhador: o novo consignado para empregados CLT em 2025

Saiba como funciona e como solicitar o crédito do trabalhador, novo consignado para empregados CLT, com juros mais baixos e pagamento direto na folha.

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O governo federal lançou recentemente uma nova modalidade de crédito consignado voltada para os trabalhadores com carteira assinada: o Crédito do Trabalhador.

Essa iniciativa promete ampliar o acesso ao crédito com condições mais vantajosas, aproveitando o potencial da Carteira de Trabalho Digital e, futuramente, o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia.

No entanto, embora o anúncio tenha gerado expectativa, ainda existem questões importantes em aberto, especialmente sobre a regulamentação do uso do FGTS como garantia.

Neste artigo, vamos detalhar como funciona o Crédito do Trabalhador, suas vantagens, cuidados e o que esperar da regulamentação.

O que é o crédito do trabalhador?

O Crédito do Trabalhador é uma linha de crédito consignado voltada para empregados do setor privado com carteira assinada (CLT), incluindo trabalhadores domésticos, rurais e assalariados de Microempreendedores Individuais (MEIs).

Essa nova modalidade permite que o crédito seja contratado diretamente por meio do aplicativo Carteira de Trabalho Digital, sem a necessidade de convênios específicos entre empresas e instituições financeiras. Isso significa mais facilidade para o trabalhador na hora de contratar o empréstimo pessoal.

Principais características do crédito do trabalhador

  • Desconto em folha: as parcelas do empréstimo são descontadas diretamente do salário do trabalhador, garantindo segurança para as instituições financeiras e facilitando o pagamento para o empregado.
  • Taxas de juros reduzidas: por conta da menor chance de inadimplência, as taxas são menores em comparação com empréstimos pessoais tradicionais.
  • Prazos estendidos: a possibilidade de prazos maiores permite parcelas menores e melhor planejamento financeiro.

Uso do FGTS como garantia: o que está em jogo?

Um dos pontos mais comentados sobre o crédito do trabalhador é a possibilidade de usar o FGTS como garantia para a contratação do empréstimo.

A ideia é que os trabalhadores possam comprometer parte do saldo do fundo para obter melhores condições de crédito. No entanto, mesmo após o início da oferta dessa modalidade, ainda não há regulamentação específica que permita o uso do FGTS como garantia.

Isso significa que, por enquanto, as operações de crédito consignado para empregados CLT não podem utilizá-lo como respaldo.

A ausência de regulamentação está gerando dúvidas entre os trabalhadores e as instituições financeiras, que aguardam definições do governo federal e do Ministério do Trabalho sobre como a medida será efetivamente implantada.

Como solicitar o crédito do trabalhador?

O processo de solicitação é totalmente digital, feito diretamente no aplicativo da Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital). O trabalhador autoriza as instituições financeiras habilitadas a acessarem seus dados, como nome, CPF, margem consignável e tempo de serviço.

Após a aprovação, as parcelas são descontadas diretamente na folha de pagamento, utilizando o eSocial para operacionalizar os descontos.

Passo a passo para contratar:

  1. Baixe o aplicativo Carteira de Trabalho Digital no seu smartphone.
  2. Autorize as instituições financeiras a acessarem seus dados para análise de crédito.
  3. Compare as propostas de empréstimo apresentadas diretamente no aplicativo.
  4. Escolha a melhor oferta e finalize a contratação pelo próprio aplicativo.
  5. Aguarde o dinheiro ser liberado na sua conta e acompanhe os descontos em folha.

Crédito do trabalhador x empréstimo pessoal x consignado privado

Para ajudar na análise, foram realizadas simulações para dois valores diferentes: R$ 10 mil e R$ 5 mil, ambos com pagamento em 24 meses. O objetivo é comparar o novo crédito do trabalhador com o consignado privado e o empréstimo pessoal.

Empréstimo de R$ 10 mil

Nesta simulação, consideramos um empréstimo de R$ 10 mil a ser pago em 24 parcelas. Abaixo estão os resultados para cada modalidade:

Novo crédito do trabalhador

  • Juros (a.m.): 1,73% (taxa estimada)
  • Parcela mensal: R$ 512,68
  • Total pago: R$ 12.304,32
  • Total em juros: R$ 2.304,32

Consignado privado

  • Juros (a.m.): 2,89%
  • Parcela mensal: R$ 583,50
  • Total pago: R$ 14.004,00
  • Total em juros: R$ 4.004,00

Empréstimo pessoal

  • Juros (a.m.): 6,09%
  • Parcela mensal: R$ 803,43
  • Total pago: R$ 19.282,32
  • Total em juros: R$ 9.282,32

A simulação deixa claro que o novo crédito do trabalhador apresenta a melhor condição entre as três modalidades analisadas. Com uma taxa de juros de 1,73% ao mês, o valor total pago ao final do contrato é R$ 12.304,32, gerando um custo de juros de R$ 2.304,32.

Já o consignado do setor privado, com taxa de 2,89% ao mês, resulta em um total pago de R$ 14.004,00, enquanto o empréstimo pessoal cobra 6,09% ao mês, alcançando um custo total de R$ 19.282,32.

Essa diferença se traduz em uma economia de R$ 6.978,00 ao optar pelo novo crédito do trabalhador em vez do empréstimo pessoal bancário.

Empréstimo de R$ 5 mil

Outra simulação realizada foi para um empréstimo menor, no valor de R$ 5 mil, também com pagamento em 24 meses.

Novo crédito do trabalhador

  • Juros (a.m.): 1,73% (taxa estimada)
  • Parcela mensal: R$ 256,34
  • Total pago: R$ 6.152,16
  • Total em juros: R$ 1.152,16

Consignado privado

  • Juros (a.m.): 2,89%
  • Parcela mensal: R$ 291,75
  • Total pago: R$ 7.002,00
  • Total em juros: R$ 2.002,00

Empréstimo pessoal

  • Juros (a.m.): 6,09%
  • Parcela mensal: R$ 401,71
  • Total pago: R$ 9.641,04
  • Total em juros: R$ 4.641,04

A diferença entre as modalidades é igualmente significativa para o valor de R$ 5 mil. O novo crédito do trabalhador garante uma economia substancial, com custo total de R$ 6.152,16, enquanto o consignado do setor privado custa R$ 7.002,00 e o empréstimo pessoal chega a R$ 9.641,04.

Isso representa uma economia de R$ 3.488,88 ao optar pelo novo crédito em vez do empréstimo pessoal bancário.

Quais as vantagens do crédito do trabalhador?

  • Acesso ampliado: está disponível para todos os trabalhadores com carteira assinada, abrangendo aproximadamente 47 milhões de pessoas.
  • Facilidade de contratação: o processo é 100% digital, realizado pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, sem necessidade de convênios específicos entre empresas e bancos.
  • Juros menores: por ser descontado diretamente da folha de pagamento, o risco de inadimplência é menor, possibilitando taxas mais vantajosas.
  • Portabilidade: será possível transferir o empréstimo entre diferentes instituições financeiras, garantindo melhores condições ao longo do contrato.

Cuidados ao contratar o crédito do trabalhador

Embora a modalidade ofereça vantagens atrativas, é fundamental que o trabalhador avalie com cautela antes de tomar uma decisão. O desconto em folha garante o pagamento, mas pode comprometer parte significativa do salário, afetando o orçamento familiar.

Além disso, a falta de regulamentação do uso do FGTS como garantia pode gerar expectativas equivocadas. Portanto, é importante que os trabalhadores se informem constantemente sobre atualizações legislativas e sobre as condições oferecidas pelas instituições financeiras.

Um dos principais riscos é comprometer uma parte significativa da renda com parcelas que podem durar anos. Antes de contratar, faça um planejamento financeiro para garantir que o valor das parcelas não prejudique seu orçamento.

Regulamentação do FGTS: expectativas e dúvidas

Embora o governo tenha anunciado o uso do FGTS como garantia no crédito do trabalhador, a regulamentação ainda não foi publicada.

A falta dessa definição impede que os bancos ofereçam essa opção, o que gera dúvidas e insegurança entre os trabalhadores. Especialistas recomendam cautela ao contratar o crédito enquanto não houver clareza sobre o uso do FGTS.

Assim que a regulamentação for publicada, é importante analisar se a utilização do saldo do fundo vai realmente valer a pena, considerando o impacto em situações de demissão ou saque emergencial.

Conclusão

O crédito do trabalhador surge como uma alternativa importante para facilitar o acesso ao crédito com taxas mais baixas e condições favoráveis para os trabalhadores do setor privado.

No entanto, a falta de regulamentação do uso do FGTS como garantia ainda gera incertezas sobre o real potencial dessa linha de crédito.

Antes de contratar, é essencial avaliar se o compromisso com o consignado não comprometerá o orçamento familiar, garantindo que o crédito traga benefícios reais sem riscos excessivos.

Se quiser saber mais sobre a modalidade de crédito para trabalhadores CLT, confira o artigo sobre o tema aqui no blog da Juros Baixos.

Guilherme Nasser

Sobre o autor

Guilherme Nasser

CEO da Juros Baixos, iniciou sua carreira no banco norte-americano Merrill Lynch e lidera a estratégia da JB, relacionamento com o mercado, investidores e parceiros estratégicos desde a fundação.

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