Powered by Rock Convert

Quais são os custos do Tesouro Direto? A falta de uma resposta a essa pergunta é algo que ainda faz muitas pessoas fugirem dessa modalidade.

Mas afinal, será que são muitos custos? Será que esses custos são altos? Será que a Poupança é melhor?

Hoje vamos te mostrar todos os custos que estão envolvidos quando você decide investir pelo Tesouro Direto e faremos uma comparação com um investimento pela Poupança!

Inclusive, se você ainda tem algumas dúvidas sobre o Tesouro Direto e seu funcionamento, dá um clique aqui antes de seguir.

Custos do Tesouro Direto

Basicamente existem 4 tipos de custos diferentes que podem existir quando você investe no Tesouro Direto:

  • Imposto de Renda (IR)
  • Imposto sobre operações financeiras (IOF)
  • Taxas cobradas pela corretora
  • Taxa cobrada pela B3 (antiga BM&FBovespa, a Bolsa de Valores)

A boa notícia é que você pode facilmente eliminar 2 desses custos já de frente, sem problemas. Vamos explicar um a um e veremos como podemos evitar gastos desnecessários.

Imposto de Renda (IR)

O Imposto de Renda não tem como fugir. Você pagará uma parte dos seus ganhos ao governo de qualquer maneira.

Ele funciona da seguinte forma: será cobrada uma taxa sobre os seus ganhos quando você vender seu título, quando ele vencer, ou quando houver pagamento de juros.

Ou seja, sempre que você receber o dinheiro, você paga ao governo uma taxa.

A vantagem é que essa taxa de IR cai com o tempo. Quanto mais tempo você deixar o dinheiro aplicado, menos você pagará de imposto.

O seu funcionamento é da seguinte forma:

Para aplicações resgatadas em até 180 dias será cobrado IR de 22,5%

Entre 181 e 360 dias: 20%

Entre 361 e 720 dias: 17,5%

Acima de 721 dias: 15%.

Importante lembrar que essa taxa só é cobrada sobre o que você ganhou.

Isso quer dizer que aquele dinheiro que você colocou inicialmente como investimento não será taxado. Somente os seus ganhos serão.

Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)

Esse é um dos custos que podemos evitar!

Isso acontece pois o IOF é um imposto que só é cobrado se as aplicações são resgatadas em até 30 dias.

Em outras palavras, se você aplicou no Tesouro Direto no dia 1 de junho e decide resgatar no dia 8 do mesmo mês, você pagará uma alíquota de IOF sobre o seu rendimento no período.

Essa taxa também vai caindo conforme os dias passam e fica zerada a partir do 30 dia.

A tabela com as taxas cobradas em cada dia pode ser conferida aqui.

Taxa Cobrada pela Corretora

Esse também é um dos custos que podemos evitar!

Muitas corretoras (ainda) cobram uma taxa para permitir que você invista no Tesouro Direto. Elas também podem cobrar uma taxa para realizar a transferência bancária de volta para o seu banco.

Porém, também temos muitas outras que já fazem esse tipo de serviço de graça para você.

Isso mesmo! Você não paga nada para abrir a conta nem para investir no Tesouro Direto.

As corretoras fazem isso exatamente para atrair novos clientes e já ter a preferência deles quando estes quiserem optar por produtos financeiros mais complexos.

Aqui nesse link você poderá conferir no site do Tesouro Nacional todas as corretoras que cobram taxa zero para investimentos no Tesouro Direto.

Assim você pode pesquisar e escolher a melhor para o seu estilo! Algumas corretoras que fazem isso são a Easynvest, Rico e a XP.

Taxa Cobrada pela B3

Essa, infelizmente, é a outra taxa que não conseguimos escapar.

Acontece que os títulos do Tesouro ficam custodiados na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3.

É como se eles ficassem “guardados” lá. Para isso, a B3 (antiga Bovespa) cobra uma taxa de 0,3% ao ano.

Diferentemente do IR, essa taxa é cobrada sobre todo o seu dinheiro, e não somente sobre aquilo que você ganhou.

Isso quer dizer que se você tiver, ao longo de um ano inteiro, 100 mil reais em investimentos no Tesouro Direto, a bolsa te cobrará 300 reais.

Essa cobrança é feita proporcionalmente ao tempo que você mantém o dinheiro por lá.

Além disso, ela é cobrada no primeiro dia útil de janeiro e julho, ou quando houver pagamentos de juros ou resgate.

Porém, ela só será cobrada em janeiro ou julho se o valor for maior que a quantia de 10 reais.

Importante chamar atenção, também, que essa taxa será cobrada do saldo que estiver na conta da sua corretora.

Mas com todos esses custos, ainda vale a pena investir no Tesouro Direto?

A resposta é: sim!

Apesar de ter esses custos o Tesouro Direto ainda é uma opção mais rentável que a poupança.

Para te provar isso nós montamos uma simulação!

Vamos comparar um investimento feito no dia 1 de janeiro de 2016 e sendo resgatado em 1 de janeiro de 2017 tanto na Caderneta de Poupança, como no Tesouro Direto.

Primeiro, a poupança:

A poupança não tem cobrança desses impostos, nem custo de corretora, nem custo da B3. Logo ela aparenta ser boa por não apresentar custo. Porém, vamos analisar o quanto ela rende com mais calma.

poupanca

Isso quer dizer que, se você tivesse investido 10 mil reais na Poupança no primeiro dia de 2016 e resgatasse no primeiro dia de 2017, você teria R$ 10.830,47.

Um rendimento de 8,3%.

Lembrando que a inflação (o índice IPCA) fechou 2016 em 6,29%.

Agora ao Tesouro Direto:

Faremos a simulação com os mesmos valores e datas e usando uma taxa de juros de 14,15% ao ano (que é próxima a média da taxa Selic para o ano de 2016). Ainda estamos assumindo que você estava usando uma corretora que não te cobra taxa ok? Assim, chegaremos no seguinte resultado:

tesouro direto melhor que poupanca

Essa tabela pode ser confusa, mas o que importa são os valores das duas últimas linhas. No mesmo período e com o mesmo dinheiro, você resgataria pouco mais de 11 mil reais! Uma rentabilidade de 11,41%.

Isso significa que, mesmo com todos os custos mostrados aqui nesse texto, para o ano de 2016, o Tesouro Direto ainda foi melhor que a Poupança!

Essas simulações são bem simples e podem conter algumas imprecisões. Porém, nada que comprometa significativamente os resultados.

Elas foram feitas nos sites do Banco Central do Brasil e do Tesouro Nacional. Você mesmo pode conferir clicando aqui e aqui.

Poxa, mas os juros estão caindo, será que agora a Poupança não vale a pena?

A resposta é: não! Não vale.

Isso acontece pois a poupança segue a seguinte estrutura de remuneração:

Se Selic ao ano for maior que 8,5%: TR + 0,5% ao mês.

Se Selic ao ano for menor/igual que 8,5%: TR + 70% da Selic.

E como a TR também é correlacionada com o movimento dos juros representados pela Selic[1], a poupança acaba ficando para trás de outros investimentos como o Tesouro Direto.

Em outras palavras, a TR costuma cair e subir junto com os juros. Então, se eles estão caindo, a TR também será menor.

Resumindo tudo: Tesouro Direto é bem melhor que a Poupança!

Todo esse post teve somente esse único objetivo! Queremos que você invista melhor e saia da Poupança.

Não se confunda: queremos que você poupe, só não queremos que você invista na caderneta de poupança!

Se você ficou com alguma dúvida não deixe de comentar aqui embaixo ou de falar conosco pela nossa página do facebook!

Se você gostou do texto, compartilhe nas redes sociais e nos siga para não perder nenhuma outra novidade nossa!

Ainda, para os mais interessados, já fizemos uma série sobre investimentos que você pode conferir clicando aqui.

Até a próxima!

[1] Isso acontece pois a TR é calculada com base na Taxa Básica Financeira. Essa taxa, por sua vez, é uma média ponderada das taxas dos CBDs do país. Estes CDBs costumam ser atrelados ao CDI que costuma seguir o movimento da taxa de juros Selic. Logo, se a Selic cai, a tendência é que a TR também caia.

Powered by Rock Convert
Author

Economista pela Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro, possui certificação CPA-20 pela ANBIMA e já trabalhou no mercado financeiro. Adora temas relacionados a poupança/investimento, educação e desenvolvimento econômico. Faz parte da equipe de redação do Juros Baixos.

Shares