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As notícias políticas deram novamente o tom para a bolsa de valores nesta manhã. O Ibovespa operava em baixa de 2,35% aos 49.813 pontos, em um movimento de venda de ações para realização de lucros. “A bolsa havia subido demais e agora é um momento de realização”, diz Raymundo Magliano Neto, presidente da Magliano Coretora. No mês, a alta da bolsa ainda é de 16,15%.

Mas o que, afinal, são esses pontos do Ibovespa?

O objetivo do Ibovespa, segundo a própria BM&FBovespa, é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos (ações) de maior negociabilidade e representatividade do mercado de ações brasileiro.

Ou seja, ele é a mais importante referência para o nosso mercado de ações.

O índice representa o valor em moeda corrente de uma carteira teórica de ações, constituída em 2 de janeiro de 1968, com um valor-base 100 pontos.

Assim, imagine que nesse dia um investidor hipotético tenha comprado todas as ações da bolsa. Aliás, todas não: esse investidor escolheu apenas as ações mais importantes.

Essa carteira de ações que ele montou custou algum dinheiro. Mas para acompanhar a evolução do índice, não precisamos saber exatamente quantos cruzeiros ou reais foram. Vamos simplesmente falar que, nesse dia 02/01/1968, essa carteira valia “100 pontos base”.

Se esse investidor hipotético mantivesse essa carteira, apenas reinvestindo os dividendos e reorganizando-a de acordo com o que a Bovespa estipula, sua carteira valeria a cotação de hoje do Ibovespa: 49.690 pontos base.

Como as ações que fazem parte dessa carteira têm grande representatividade, podemos dizer que se a maioria delas estiver subindo, o mercado, medido pelo Índice Bovespa (Ibovespa), está em alta, e se estiver caindo, está em baixa.

Portanto, com apenas as ações mais importantes, temos uma boa sensação da “temperatura” do mercado. Claro que, ainda que o Ibovespa esteja em queda, eventualmente, algumas ações, mesmo participantes da formação do índice, podem estar em movimento oposto.

Cabe ao investidor encontrar e identificar esses movimentos para fazer bons negócios.

USA - EUA/CRISE/BOLSA - ECONOMIA - Movimento na Bolsa de Nova York na tarde desta segunda-feira. O coração do sistema financeiro norte-americano foi sacudido no domingo: o Lehman Brothers pediu concordata e o Merrill Lynch fechou acordo para ser vendido ao Bank of America (BofA). 15/09/2008 - Foto: DAVID KARP/ASSOCIATED PRESS/AE
Ibovespa e Bolsa de Valores: não confunda! São coisas distintas…

A importância do Ibovespa

Além de ser o principal e mais importante indicador do desempenho médio das cotações do mercado de ações brasileiro, acompanhá-lo significa ter um panorama geral de como as ações das principais empresas de capital aberto estão se comportando.

Através de sua evolução também é possível perceber alguns momentos históricos mundiais, como crises, guerras e a evolução da economia, etc.

Outro ponto importante para estimular o seu conhecimento é o fato de que o próprio índice pode ser um instrumento de investimento.

Isso mesmo, os participantes do mercado podem comprar e vender o índice da bolsa tanto no mercado presente quando no mercado futuro ou de derivativos, através de opções, contratos e/ou minicontratos futuros.

A lógica por trás disso é bem simples: se acreditar que o mercado de ações – que no caso representa a saúde das empresas de determinado país – irá cair, você deve apostar na queda do índice. Se acredita que o futuro será melhor (tudo depende do prazo que estamos analisando haha) será positivo, deve apostar em uma subida do mesmo.

Mas a explicação de como realizar isso na prática e os instrumentos que existem para tal ficarão para um próximo post.

Agora que você entendeu um pouco sobre a importância do índice, vamos ao que interessa.

Afinal, não acredito que ninguém investiria numa subida ou queda do índice sem saber a fundo como ele é calculado.

Já sabemos que é uma média ponderada das ações mais importantes da bolsa de valores, porém, como determinamos quais são essas ações e qual o peso (importância) que cada uma delas deve ter?

Composição atual:

http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/produtos/indices/indices-amplos/indice-ibovespa-ibovespa-composicao-da-carteira.htm”

Metodologia do Ibovespa:

O índice de Negociabilidade (IN), a grosso modo, trata-se de uma ponderação composta pela razão do número de negócios feitos com o ativo em questão no mercado à vista sobre o número total de negócios feitos no mercado também à vista, multiplicada pela razão do volume financeiro dos negócios gerados com relação a esse ativo no mercado à vista sobre todo o volume financeiro de negócios nesse mesmo mercado. Após isso, devemos dividir este total pelo número de pregões existentes no período em questão.

Critérios de Inclusão:

a-) A ação deve estar entre os ativos elegíveis que, no período de vigência das três carteiras anteriores – cada carteira teória do Ibovespa dura um período de 4 meses, portanto, 12 meses ou um ano – , representem, em conjunto, 85% do somatório total desses indicadores;

b-) Ter sido negociada em 95% dos pregões no período de vigência das três carteiras anteriores;

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c-) Ter participação em termos de volume financeiro maior ou igual a 0,1%, no mercado a vista, no período de vigência das três carteiras anteriores;

d-) Não ser classificado como “Penny Stock” – ativos cuja cotação seja inferior a R$1,00. Isto ocorre, pois uma pequena variação de preço irá causar uma grande variação percentual, o que pode enviesar o resultado do índice.

A expectativa é que com a exclusão das “Penny Stocks” ocorra uma redução nas oscilações da carteira pelo peso maior de empresas de grande porte e, portanto, mais estabilizadas.

Esta mudança também deve evitar distorções como as causadas pela OGX que, depois de uma forte queda, passou a custar poucos centavos, mas continuou com grande volume negociado nos pregões da bolsa e, portanto,  forte peso no Ibovespa, o que fazia com que qualquer variação de centavos provocasse alta ou baixa do índice com grande força.

Critérios de Exclusão:

a-) deixarem de atender a dois dos critérios de inclusão;

b-) sejam classificados como “Penny Stock”

c-) durante a vigência da carteira passem a ser listados em situação especial – recuperação judicial ou extrajudicial, regime especial de administração temporária, intervenção, dentre outros.

Critério de Ponderação:

No Ibovespa, os ativos são ponderados pelo valor de mercado do “free float”. O free float é a parcela das ações da companhia que se encontram em circulação, número este que deve ser divulgado pela companhia nos sites da Comissão de Valores Mobiliários e da BM&FBOVESPA, conforme a Instrução CVM 480, de 07/12/2009.

Segundo a BM&FBovespa, a representatividade de uma ação no Ibovespa, quando das reavaliações periódicas, não poderá ser superior a duas vezes a participação que o ativo teria, caso a carteira fosse ponderada pela representatividade dos INs individuais no somatório de todos os INs dos ativos integrantes da carteira.

Devemos também ter em mente que a participação dos ativos de uma companhia no índice (considerando todas as espécies e classes de ações, ordinárias ou preferenciais) não poderá ser superior a 20% quando de sua inclusão ou nas reavaliações periódicas.

Caso algum dos cenários acima vanham a ocorrer, serão efetuados ajustes para adequar o peso desse ativo a esse limite, redistribuindo-se o excedente proporcionalmente aos demais ativos integrantes da carteira.

Aaah, então é simples… o Ibovespa varia conforme variam as ações que o compõe!

Nem tudo são flores…

Primeiramente devemos entender que o Ibovespa é caracterizado como um índice de retorno total, ou seja, procura refletir não apenas as variações nos preços das ações integrantes do índice no tempo, mas também o impacto que a distribuição de proventos – como dividendos, juros sobre capital próprio, etc – por parte das companhias emissoras desses ativos teria no retorno do índice.

Portanto, podemos perceber que não é somente a variação do preço da ação de determinada empresa (integrante do Ibovespa) que terá impacto na variação do índice, mas também sua política de distribuição de dividendos, assim como qualquer valor de um determinado ativo recebido que seja diferente dos ativos originalmente possuídos (valorização de seus ativos).

A ideia desse post era desmistificar o tão falado índice Ibovespa para que nossos leitores possam ter um melhor entendimento de como o mercado de renda variável funciona.

Nada melhor do que começar analisando seu principal indicador.

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