Incertezas sobre retomada de empregos e de renda são alguns dos fatores que podem frear o crescimento do setor neste ano.

A crise sanitária trouxe impactos negativos para a maioria dos setores econômicos brasileiros, criando um cenário instável e de queda para a economia geral. No entanto, um setor encerrou o ano de 2020 em ritmo de superação: o imobiliário.

Entre janeiro e outubro do último ano, o crédito para financiar imóveis por meio de recursos da poupança alcançou a marca de R$ 92,7 bilhões. Segundo informações da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), isso representa um aumento de 48,8% em relação ao mesmo período em 2019.

Alguns fatores ajudam a explicar esse aumento. Depósitos recordes na poupança, aprovação do programa Casa Verde Amarela e os juros baixos aplicados sobre as prestações dos financiamentos colaboraram para impulsionar esse setor no segundo semestre do último ano.

A taxa de juros reduzida foi fundamental para manter esse setor aquecido. Seu valor baixo teve duas consequências notáveis: aumento do poder de compra, de modo que as pessoas pudessem comprar imóveis melhores sem uma prestação custosa; e redução do risco financeiro para a família, já que as parcelas não pesam muito nas finanças mensais.

Importância da construção civil

Os desafios econômicos também foram perceptíveis no setor da construção civil. O ano de 2020 foi um ano de recuperação. O PIB da construção civil teve uma queda de 2,5%, justificada por um recuo de 4% no setor de atividade empresarial.

Apesar disso, o ano de 2020 terminou com um nível de atividade que se assemelha à situação de antes do início da crise sanitária. Ajudaram nessa recuperação a redução das taxas de juros, facilidades no financiamento e estímulos para comprar moradias. Outro ponto positivo é que foram criadas 138 mil vagas de emprego nesse setor durante o ano.

Esse setor é muito importante para a economia brasileira como um todo, funcionando quase como um termômetro. Ela atua com força na distribuição de renda e também gera valores altos de impostos para o país.

Assim, quanto mais vendas e compras acontecem nesse setor, melhores são as consequências para a economia de modo geral. Esse é um setor que colabora para a realização do sonho da casa própria, além de gerar empregos e criar oportunidades para que empresas desenvolvam novas tecnologias.

Desafios

No entanto, existem dúvidas sobre a possibilidade de os ramos imobiliário e da construção civil manterem o ritmo em 2021. Um fator que pode influenciar essa desaceleração é o encarecimento dos materiais de construção, que pode tornar a realização de empreendimentos imobiliários mais difíceis.

Outra questão que reforça as incertezas sobre este ano são a velocidade da recuperação de emprego e renda dos brasileiros. O presidente da Comissão da Indústria Imobiliária da Cbic, José Carlos Martins, apresentou uma projeção de crescimento de 4% do PIB da construção civil. Um valor que ele classificou como “otimista conservador”.

Já Celso Petrucci, também da Cbic, aponta que uma eventual estagnação de renda dos brasileiros pode ajudar as vendas no início do ano. Ela poderia forçar as construtoras a não repassarem o aumento no valor dos materiais das construções para os preços dos imóveis, mantendo o valor ainda atrativo para os consumidores.

O ano de 2020 também trouxe uma mudança no padrão de procura das pessoas. Petrucci comenta que, por conta da crise, muitos passaram a procurar por imóveis que fossem mais afastados de áreas muito populosas, que permitissem uma circulação longe de possíveis aglomerações. Essa mudança ajudou a manter o setor aquecido, além de abrir novas possibilidades de financiamento imobiliário.

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