Ao longo do último ano, houve várias notícias sobre o crescimento dos custos de construção, combustíveis e alimentação. Os aumentos sempre são perceptíveis, mas será que realmente foram elevados? Como que se sabe se esses custos estão aumentando muito? Vamos saber disso e entender medidas de inflação para a construção que existem.

1. Indicadores de custos de construção civil

Os indicadores de custos da construção civil têm como funções permitir saber como variam os custos do setor ao longo do tempo, bem como podem servir para o reajuste de preços e orçamentos para o período presente. Esses indicadores são levantados por diferentes instituições, cada uma com seu método próprio de coleta de preços no mercado e cálculo.

Dentre esses indicadores, existem:

– Custo Unitário Básico (CUB): calculado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) local, mensalmente, para um conjunto de padrões de construção. 

– Índice do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI): definido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para todos os estados e em termos nacionais. 

– Índice Nacional da Construção Civil (INCC): é calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), também com apuração mensal.

2. O índice SINAPI

O índice SINAPI, assim como os demais, é aberto para consulta ao público. Os dados mensais, com a série histórica desde 1994, estão no site:

https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9270-sistema-nacional-de-pesquisa-de-custos-e-indices-da-construcao-civil.html?=&t=series-historicas

Pode-se observar tanto os dados absolutos do indicador de custo por metro quadrado de construção, como os dados relativos, de crescimento ou queda dos custos de um mês para o outro.

3. A variação nos últimos anos

Não ficou apenas na percepção, realmente houve um crescimento mais acentuado nos preços de construção ao longo desta pandemia. Desde 2013, onde houve um pico de variações, a mudança de preços ao longo dos meses ficou em torno de 0,10 a 0,70 % ao mês. Em outubro de 2020, esse índice já foi de 1,71 % e chegou a 2,46 % em junho de 2021. Variações similares aconteceram entre os anos de 2002 e 2003, e houve outra variação intensa nos primeiros anos de medição, entre 1994 e 1995.

Fonte: IBGE (2021)

As variações nos custos da construção, que são reais e registradas por esses indicadores, representam preços mais salgados aos consumidores. Houve muitos compradores que, atraídos por uma taxa Selic mais baixa, resolveram financiar um imóvel, mas que depois terão de arcar com uma dívida mais alta em função desse aumento de custos. A torcida é que, com a normalização das demandas reprimidas, tanto nos materiais de construção, como em outros setores, que os preços sofram inflação menos acentuada. Vamos acompanhar os índices oficiais para saber se isso irá acontecer.

Por fim,

Vimos que existem diferentes indicadores que medem as variações de custos de construção. Também vimos que estes indicadores confirmam que, nos últimos meses, os custos de construção aumentaram mais do que nos últimos anos. 

Não é o pico histórico no plano real (desde 1994), mas a maior variação dos últimos oito anos. Caberá esperar a estabilização do comércio represado nos diferentes setores, e ver como a pandemia irá se comportar daqui para frente, para vermos nas séries de indicadores, a tão esperada redução na inflação da construção.

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SOBRE A AUTORIA: Esse texto é um oferecimento d’O Blog do Mestre, gentilmente publicado pelo Portal Juros Baixos. O Blog do Mestre é um blog que envolve entretenimento, curiosidades, atualidades e muito conhecimento!

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