Você certamente já conhece o Crowdfunding, ou Financiamento Coletivo (ou vaquinha, como ficou conhecido aqui no Brasil). Possivelmente você até já apoiou algumas campanhas. 

Mas já ouviu falar de Crowdfunding Recorrente? Esse é um conceito mais recente e menos difundido no país, mas que tem ajudado milhares de ONGs, artistas e produtores de conteúdo a tocarem seus trabalhos de forma independente, com uma interação inédita com o público apoiador.

Vem com a gente que vamos explicar direitinho como funciona!

O que é o Crowdfunding

Traduzindo do inglês, crowdfunding significa exatamente “financiamento por multidão”. O termo se popularizou com a internet, que uniu pessoas com grandes ideias a milhões de outras pessoas que toparam ajudar a financiar essas ideias.

Com isso, centenas de livros foram (e seguem sendo) publicados, discos lançados, jogos e produtos eletrônicos foram desenvolvidos, entre muitas outras possibilidades que o crowdfunding trouxe.

E o Crowdfunding Recorrente?

Mas seguia uma questão: apesar de muito bem-vinda, essa ajuda vinha apenas para projetos pontuais, mas dificilmente eram capazes de sustentar um projeto de médio ou longo prazo.

Foi então que surgiu o Crowdfunding Recorrente: uma forma do público apoiar uma pessoa ou projeto de forma contínua, mês a mês, e sustentar o projeto a  longo prazo.

Como funciona?

A primeira parte funciona igual ao crowdfunding tradicional: a pessoa que tem um projeto busca a melhor plataforma para a criação de sua campanha, cria a campanha, e define metas e recompensas para os apoiadores.

Depois de tudo acertado, é a hora de chamar os seguidores, familiares, amigos e todo mundo que pode ter interesse em apoiar a campanha. 

Os apoiadores definem quanto querem (ou podem) destinar de apoio  ao projeto, a partir das recompensas definidas por quem criou a campanha.

Até aí tudo igual, né?

A grande diferença do Crowdfunding Recorrente acontece a partir do segundo mês, quando a plataforma faz uma nova cobrança no cartão de crédito (ou via boleto) de cada pessoa que fez o apoio no primeiro mês. 

E no terceiro mês, mais uma cobrança. 

E no quarto mês. 

E assim por diante.

E aí vem um bônus que poucos criadores imaginam no momento em que criam a campanha: como os fazedores  precisam “conquistar” os apoiadores todo mês, para convencê-los a seguir com o apoio  à campanha, eles têm uma comunicação muito mais ativa e aberta com o público. 

E isso acaba criando uma comunidade que participa do projeto de forma ativa, muito além do apoio financeiro. 

Nessa conversa com o jornalista André Fran, falamos um tanto sobre isso:  André Fran: Como construí uma comunidade de apoiadores através do processo criativo do meu canal

Então o Crowdfunding Recorrente é muito melhor?

Nem sempre. Isso depende muito do projeto que você quer colocar na rua.

De forma geral, o crowdfunding tradicional (ou pontual) é mais recomendado para projetos com início, meio e fim bem definidos. 

Enquanto o Crowdfunding Recorrente é mais apropriado para projetos sem uma data de fim definida.

Mas talvez isso esteja muito abstrato, né?

Exemplos reais de financiamentos coletivos recorrentes

Vamos então para alguns exemplos práticos:

Crowdfunding para canal de YouTube

Uma das categorias mais comuns do Crowdfunding Recorrente é a de youtubers e streamers. A monetização das plataformas normalmente não é suficiente para sustentar o canal, e então os espectadores ajudam a manter o conteúdo com apoios mensais.

O canal Fazendo Nerdice é um dos que têm campanha de Crowdfunding Recorrente. Além disso, ele tem feito campanhas pontuais solidárias, como essa, para vídeos específicos.

Crowdfunding para ONGs e Projetos Sociais

Outro caso clássico é o de ONGs e projetos sociais. É muito comum que esses projetos façam campanhas de Crowdfunding Pontual para uma reforma ou ampliação da estrutura. 

É o caso do projeto Cozinha Solidária, que construiu 26 cozinhas nas periferias do Brasil para distribuir marmitas à população vulnerável. 

Mas como faz para manter o dia a dia dos projetos? 

Nesse caso, ONGs como o Garra Animal usam o financiamento coletivo recorrente para custear os gastos com a alimentação e o cuidado dos animais resgatados.

Financiamento Coletivo para artistas independentes

Possivelmente quem mais popularizou o crowdfunding foram os músicos e artistas independentes. Foi um jeito encontrado de lançar discos e projetos sem precisar ser contratado por uma gravadora.

É o caso da Clarissa Ferreira, que financia  o álbum LaVaca com uma campanha pontual.

Mas um movimento mais recente é o de artistas que fazem campanhas de crowdfunding recorrente para ter um contato mais próximo com o público, além de manter uma renda mensal. É o caso do consagrado Marcelo Nova, que tem uma campanha mensal desde 2020.

E esses são só alguns exemplos. Tem ainda crowdfunding para podcasts, livros, games, jornalismo, eventos e muito mais. 

Como escolher a melhor plataforma?

E aí fica a questão: qual plataforma é a melhor?

De novo, depende do seu projeto. 

Plataformas de crowdfunding como a APOIA.se permitem que você crie a campanha gratuitamente (a cobrança é proporcional aos apoios recebidos). Assim, uma boa sugestão é testar as melhores para ver se oferecem tudo o que você precisa.

Mas tem algumas coisas que você deve ter atenção, como por exemplo:

  • A plataforma tem taxas “surpresa”, por apoio ou por saque?
  • A plataforma tem suporte e ajuda você a resolver as dúvidas antes, durante e depois da campanha?
  • Você consegue entregar as recompensas pensadas com essa plataforma?
  • Seus apoiadores conhecem e confiam na plataforma, para deixar ali suas informações pessoais?
  • Seus apoiadores conseguem apoiar a campanha com o método de pagamento que escolherem?
  • A plataforma ajuda você a conversar e interagir com o seu público?

Essas são algumas questões que ajudamos a resolver com esse Guia do Financiamento Coletivo Recorrente. Um e-book gratuito em que compilamos tudo o que aprendemos na APOIA.se sobre esse assunto nos últimos anos.

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