O Brasil é um dos países mais relevantes quando falamos de fintech. Ao pesquisarmos informações sobre “fintechs” no site da Statista, empresa de estatísticas, a maioria dos relatórios exibidos são sobre o segmento no país brasileiro. De todas as startups em atividade no país, 771 são fintechs.

Porém, criar um novo aplicativo deste segmento requer duas fases: a de planejamento de negócios e a de desenvolvimento. 

A primeira fase diz respeito da estratégia por trás de criar um app de fintech: ter segmentado quem será seu público e seu tipo de relacionamento com ele, as parcerias-chaves e a estrutura de recursos. Essas informações são essenciais para criar telas, definir APIs e outros pontos importantes do desenvolvimento de um aplicativo de fintech.

Todas essas informações têm uma relação. Sem o público, não sabemos qual tela mais lhe agrada; sem a estrutura de recursos financeiros é difícil saber quais serviços terceiros serão integrados no app e, consequentemente, parcerias-chave.

Então, para responder a dúvida de “como fazer um aplicativo de fintech”, vamos aprofundar nestes pontos.

Passos para criar um aplicativo de fintech

O requisito essencial para abrir uma fintech no Brasil é atender as exigências do Bacen (Banco Central do Brasil), órgão responsável por regulamentar as atividades bancárias do país. Portanto, para criar uma fintech é necessária a conformidade com as regras do Bacen e ter autorização dele para funcionar.

Além disso, há também o capital inicial. Para o caso de uma fintech de crédito, o Bacen exige o mínimo de R$1 milhão. Assim, investidores ou outras fontes de financiamento devem fazer parte do planejamento. Abordaremos essa questão e demais etapas abaixo.

1- Defina o modelo de negócio

No Brasil há fintechs de crédito, pagamento, gestão financeira, empréstimo, investimento, financiamento, seguro, negociação de dívidas, câmbio e multisserviços. Assim, sua fintech deve se encaixar em algum desses modelos.

Aqui vão alguns exemplos de fintechs:

  • Crédito: Nubank
  • Pagamento: Gerencianet;
  • Gestão Financeira: Mobiils
  • Empréstimo: Sim
  • Investimento: Rico

2- Garanta a conformidade legal

Criar um aplicativo de fintech implica gerenciar dados sensíveis, estes que devem ser rigorosamente resguardados. No Brasil temos a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) com 10 bases legais. 

Há ainda certificações de segurança digital e compliance como PCI DSS (Payment Card Industry Data Security Standard), AML (Anti-Money Laundering ou anti-lavagem de dinheiro) e KYC (Know Your Customer, ou Conheça Seu Cliente).

3- Conheça os concorrentes

Antes de avançar para o ponto de proposta de valor, conhecer a proposta da concorrência e os porquês por trás dela é fundamental para saber qual será o diferencial da sua fintech.

Este é o momento de instalar os aplicativos, investigar a opinião dos clientes (portais como Reclame Aqui, avaliações nas lojas de aplicativos, interações nas redes sociais) e levantar os pontos positivos e negativos dela. Benchmarkings são excelentes para esclarecer esses pontos.

4- Defina a proposta de valor da sua fintech

Entendido como a concorrência funciona, está na hora de propor a diferenciação da sua fintech: como ela vai combater os pontos negativos da concorrência? Como os pontos positivos da sua fintech vão ser ainda melhores que os demais? Como sua marca vai criar fãs?

Esses pontos de relacionamento e o público são fáceis de visualizar quando segmentados através de um business model canvas. Nele você responde as perguntas “pra quem”, “o que”, “como” e “quanto”, que serão os norteadores para toda a estratégia de negócio da fintech.

É com este canvas que será possível responder a pergunta de como será o financiamento do capital inicial da fintech, investidores e afins.

5- Desenvolva o MVP

Toda estreia de um produto no mercado é feita através de sua versão MVP, ou seja, a mínima, com recursos básicos suficientes para validar a estratégia de negócio e de produto.

Então, comece pequeno. Mas a escolha tecnológica da criação do aplicativo deve ser pensada de forma que não atrapalhe ou dificulte as funcionalidades incrementais. 

A tecnologia que vai ditar o tempo de dedicação para o desenvolvimento e os desafios que virão a seguir, seja na contratação de desenvolvedores in-house, que são escassos, ou na terceirização do serviço de desenvolvimento mobile.

O aplicativo da sua fintech pode ser nativo, cross-platform ou PWA, cada um com seus benefícios e desvantagens tecnológicas.

A parte de escolhas de parcerias-chave também tem a ver com o desenvolvimento, com o desenvolvimento, como já mencionamos, ou com serviços. Há empresas que oferecem Baking as a Service como solução para fintechs.

Outros serviços de cloud, SMS, notificações push e e-mail também são necessários para app e eles possuem um custo e suas respectivas implementações no código.

6- Lance o aplicativo da sua fintech

Desenvolvido e testado o MVP, está na hora de entregá-lo para os usuários e ver o plano de negócios em ação. O lançamento é a parte de marketing voltada para aplicativos, pois é o momento de divulgá-lo e atrair clientes.

O lançamento é dividido em três fases:

  • Pré-lançamento: se trata do entendimento da persona da fintech, parte já entendida durante o planejamento de negócio. Contudo, a lógica de marketing é estabelecer os gatilhos de comunicação que de fato vão conectar o público com a fintech, estabelecer o manual da marca e a mensagem para o público. E, por fim, a data de lançamento. 
  •  Lançamento: aplicativo rodando, é o momento de fortalecer os canais de comunicação que melhor atraem os clientes: incentivar avaliações e recomendações nas lojas de apps, investir em marketing de influência e ads, assessoria de imprensa, entre outros.
  • Pós-lançamento: depois de lançado e experimentado pelos usuários, já existem feedbacks a serem coletados para aprimorar o aplicativo e sair da versão MVP. Portanto, o pós-lançamento visa melhorias da fintech em layouts, funcionalidades, atendimento, benefícios, entre outros. 

Conclusão

Acima foram ditas as etapas básicas para a criação de um aplicativo de fintech. Todas são igualmente importantes e básicas para que a estratégia dê certo. Todas elas estão bem amarradas, ou seja, deixar de fazer uma atrapalha a outra.

Podemos dizer que a criação da fintech tem duas fases: a de planejamento e desenvolvimento. A primeira dita a elaboração da estratégia de negócio e a checagem de conformidades junto ao Banco Central do Brasil. A segunda fase já é sobre o desenvolvimento, que requer decisões tecnológicas e a busca por profissionais qualificados para a missão.

Existem as opções de contratar os próprios desenvolvedores, freelancers ou apostar na terceirização a partir da alocação de times dedicados. Para entender um pouco mais sobre o assunto, recomendamos a leitura sobre o outsourcing de desenvolvimento de software.

Este artigo foi produzido pela empresa de aplicativos Usemobile.

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