Filas gigantescas, burocracias, taxas abusivas, vendas casadas e horas para conseguir falar no atendimento…todas essas situações te fazem lembrar do que? Se na hora você pensou nos bancos, é sobre eles mesmo que estou me referindo. 

Se voltarmos 10 anos atrás, este era o cenário que simbolizava a vida financeira da grande maioria dos brasileiros, sem muito como fugir disso. 

Foram justamente esses pontos, em paralelo com a evolução da tecnologia, principalmente por conta da internet e dos smartphones, e, em conjunto com a crise econômica mundial de 2008 que o mundo financeiro passou a ser transformado, e, para nossa sorte, para melhor. Estamos falando do início da “Revolução Fintech”.

O que são fintechs?

Em dezembro de 1998 nascia o Paypal, considerado a primeira fintech, antes mesmo destas existirem. O Paypal surgiu nos EUA como uma empresa de pagamentos online. Ou seja, ele acabou unindo dois pontos: tecnologia e finanças.

Em janeiro de 2006, aqui no Brasil, surgia a BRPay, sendo a primeira plataforma de pagamentos online do país. Um ano depois, o Uol comprou a empresa e em julho de 2007 mudou seu nome para PagSeguro. Mais uma vez era uma solução que unia finanças e tecnologia. 

O que o Paypal e o PagSeguro têm em comum nos ajuda a entender o que é uma fintech e quando elas surgiram. Fintechs são startups como o Paypal e o PagSeguro que desenvolvem produtos e serviços financeiros totalmente digitais. Apesar destas iniciativas serem de 1998 e 2006, respectivamente, o ano de 2008 ficou marcado como o ano de início da revolução das fintechs, justamente o ano em que o mundo entrou num colapso econômico causado pelo sistema financeiro tradicional.

Hoje, existem inúmeras fintechs ao redor do mundo. No Brasil, de acordo com a Distrito, existem pelo menos 1.016 fintechs. Estas oferecem soluções nas mais diversas categorias: crédito, investimentos, seguros, contas digitais, pagamentos, gestão financeira, finanças pessoais, negociação de dívidas, dentre outras.

A revolução das fintechs na vida das pessoas

As fintechs surgiram e continuam surgindo com a visão de proporcionar a melhor experiência aos seus usuários, indo na contramão do que, até então, os grandes bancos faziam. E, em paralelo, estando 100% no mundo digital.

O primeiro grande ponto que as fintechs ajudam no cotidiano das pessoas é a redução da concentração bancária existente no nosso país. Para você tem uma noção, apesar do número vir caindo, cerca de 81,2% dos ativos totais dos brancos estão nas cinco maiores instituições. A alta concentração não é favorável, pois ela faz com que os maiores “ditem as regras do jogo”. Com as fintechs, o mercado fica mais competitivo, e consequentemente, gera melhores condições e experiências aos clientes.

Outro ponto que as fintechs ajudam a sanar é a questão da população sem acesso aos serviços financeiros, os chamados desbancarizados. De acordo com estudo feito pelo Instituto Locomotiva, em 2019, o Brasil conta com mais de 45 milhões de desbancarizados. Com as fintechs, que não necessitam da agência física, mas sim, apenas do ambiente digital, este cenário começa a ter uma ótima alternativa

A própria educação financeira das pessoas ganha, e muito, com as fintechs. Por exemplo, por conta de aplicativos de controle financeiro, as pessoas podem controlar suas entradas e saídas financeiras, através do celular, de maneira bem prática, podendo, inclusive, conciliar o planejamento com a realidade

Várias fintechs trazem excelentes alternativas de produtos financeiros que antes eram oferecidos quase que exclusivamente pelos bancos. Por exemplo, através de corretoras de investimentos digitais e robôs investidores, as pessoas passam a ter um universo de opções de investimento. No aspecto do crédito, as fintechs de crédito possibilitam que as pessoas pesquisem e tenham mais opções para escolher na hora de pegar um empréstimo, como é o caso do Juros Baixos. O mesmo acontece com a contratação de seguros, na qual, diversas insurtechs (nome dado para as fintechs de seguros).

A revolução das fintechs na vida das empresas

E não ache que as fintechs trouxeram e continuam trazendo benefícios apenas no aspecto das finanças pessoais. A mesma coisa acaba acontecendo para as empresas. 

No Brasil, muitas vezes, as micro, pequenas e médias empresas acabam tendo dificuldades de acesso e/ou boas condições em serviços e produtos financeiros oferecidos pelos grandes bancos. Com as fintechs, diversas opções de bancos digitais possibilitam a abertura de contas sem taxas.

As fintechs de crédito também são excelentes alternativas para empresas que buscam condições diferenciadas ou alternativas ao crédito tradicional. Além do modelo de crédito tradicional, as fintechs trazem novos modelos, como o caso do P2P Lending, ou até modelos de captação de recursos junta a investidores, com o modelo do Equity Crowdfunding.

Na parte da gestão financeira, as pequenas empresas também podem se aproveitar muito das fintechs que oferecem soluções para ajudar no dia a dia das finanças do negócio, como por exemplo sistemas de gestão financeira, contabilidades online, soluções para precificação, dentre outras.

As fintechs, desde sua origem, estão revolucionando o mundo financeiro. Tanto nas finanças pessoais quanto nas finanças corporativas, elas acabam oferecendo ótimas soluções, com custos menores, melhores experiências e maior praticidade. E você, já usa alguma fintech? Deixe sua avaliação e seus comentários sobre esta experiência na Fincatch, o portal de avaliação de fintechs!

Victor Barboza

Especialista em finanças. Fundador da GFCriativa e co-fundador da Fincatch

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