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Na sexta-feira da semana passada, dia 4 de maio, o mundo das fintechs e bancos digitais foi invadido por notícias bizarras!

O banco Neon foi fechado pelo banco central e saiu uma notícia no tecmundo falando que os dados do Banco Inter foram hackeados.

Afinal de contas: Que que tá acontecendo?

Vamos começar pelo Banco Neon

Na noite de quinta-feira a Neon pagamentos recebeu um investimento de 72 milhões, um dos maiores já feitos em fintechs no Brasil. No dia seguinte, veio a bomba da liquidação extrajudicial pelo Banco Central.

Pra entender esse caso, a primeira coisa é dar nome aos bois: o Neon era formado por duas empresas.

A Neon Pagamentos (antiga Contro.ly) – uma empresa de tecnologia de pagamentos fundada por Pedro Conrade (um cara que é mais novo que eu, tem uns 26 anos). Nessa, o banco central não encontrou nada de errado. E foi essa que recebeu aquele investimento de 72 milhões.

E a outra é o Banco Neon, antigo banco Pottencial, nascido em 1994, com com sede em Belo Horizonte – que pertence à família Geo, que já tem altos rolos na justiça – e esse sim, é o que foi pego pelo Banco Central

Os sócios do banco Neon têm uma pequena participação na Neon pagamentos, mas a neon pagamentos e seus sócios não têm participação no banco que foi liquidado.

A segunda coisa é que é normal uma fintech ter um banco por trás: a maioria das fintechs não são instituições financeiras. Elas são empresas de tecnologia que inovam no jeito de tratar o usuário, de pensar os produtos, mas pra funcionar, precisam da estrutura de um banco parceiro. Ou seja, elas precisam ter um acordo operacional com algum banco: e essa era a relação entre Neon Pagamentos e Banco Neon.

E falando nisso, nessa segunda-feira mesmo, dia 7, a neon pagamentos já fechou acordo com o Banco Votorantim, que é agora o novo banco parceiro da Neon.

Já o banco neon (antigo Pottencial) segue sob intervenção do Banco Central, por conta das graves irregularidades ali encontradas.

E aí fica a pergunta: a Neon Pagamentos vai conseguir dar a volta por cima? Só o tempo – e os clientes – dirão, mas torcemos que o ambiente de inovação no mercado financeiro e as conversas promissoras com o Banco Central continuem sólidas, mesmo após esse episódio.

O que muda pra quem tem conta no Banco Neon?

Quem tem cartões pré-pagos e cartões de débito continua podendo sacar normalmente.

As operações por meio do aplicativo, como transferências e boletos, deve ser reestabelecidas assim que as integrações com o Banco Votorantim forem feitas.

Os CDBs serão ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Crédito, o FGC, num prazo de 7 a 10 dias após a identificação dos investidores, a ser feita pelo liquidante do Banco Neon. (mais informações aqui)

E se você não sabe o que é CDB, tem um vídeo aqui que explica sobre isso.

Você acompanha a normalização dos serviços do banco neon aqui neste link (clique aqui).

A resposta oficial do Banco Neon

Agora o Banco Inter

O Banco Inter, ao contrário da Neon Pagamentos, é um banco antigo, da década de 90, que passou por uma intensa modernização nos últimos anos, puxando o cenário das contas digitais gratuitas.

Na montanha russa de emoções do mercado financeiro, o Banco Inter, no dia 26 de abril, começou a ser listado na bolsa de valores, uma grande festa.

Na semana seguinte, veio a matéria no site tecmundo: “Banco Inter é extorquido e dados de clientes são expostos; invasão é negada

  1. O hacker alega que roubou 40GB em dados dos clientes do banco.
  2. Pediu dinheiro para o Banco.
  3. O banco negou (fez certo, não se pode dar trela pra bandido)
  4. O hacker mandou os dados pro tecmundo e vazou a coisa toda.
  5. O banco fez um comunicado falando que aquilo tudo não passava de uma tentativa de extorsão, e a ameaça era falsa.
  6. O blog tecmundo alega que os dados são verdadeiros.
  7. As ações do recém-listado banco Inter despencaram cerca de 10% na abertura do pregão de sexta-feira

E aí, eu te pergunto para você: em quem confiar? Blog ou banco?

Não tem como dizer. Mas a regra de bolso nesse tipo de situação é: não acredito nem desacredito, muito pelo contrário.

O que a gente tem que fazer agora é ficar atento às informações que tão brotando e ter senso crítico com o que a gente ouve.

E nosso trabalho aqui no Juros Baixos vai nessa linha: gerar informações confiáveis e transparentes para você tomar melhores decisões financeiras. Vamos continuar de olho no desenrolar da história.

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Author

Economista pela FGV-RJ e assessor de investimentos (CPA-20). Apaixonado por educação financeira e microfinanças, é cofundador do jurosbaixos.com.br, site de comparação de crédito e portal de educação financeira. Em seu canal do youtube, explica o básico de finanças para leigos (youtube.com/jurosbaixos).

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