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Quem procura uma instituição financeira para solicitar um empréstimo ou um financiamento sabe: aguardar o resultado da análise de crédito é o momento de maior ansiedade e tensão em todo esse processo.

Conhecer um pouco mais sobre como funciona a análise de crédito ajuda a conter um pouco dessa ansiedade e pode até mesmo contribuir para aumentar as chances de aprovação da proposta.

Cada instituição financeira adota seus próprios parâmetros de avaliação, mas a essência do processo é basicamente a mesmo em todas elas. Vamos agora conhecer as principais etapas de um típico processo de análise de crédito.

A análise cadastral

A primeira providência que uma instituição financeira toma é reunir as informações pessoais do solicitante, sempre com base em documentos comprobatórios. O que a instituição espera encontrar nessa etapa é confiabilidade, ou seja, saber que o solicitante é, realmente, quem ele diz ser, que tem um endereço fixo, uma fonte de renda, telefone e e-mail para contato, etc.

Entre os dados que o solicitante deve apresentar e comprovar, incluem-se:

  • sua identificação (basicamente, os dados que constam no RG e no CPF);
  • comprovante de endereço;
  • comprovante de renda;
  • meios de contato (telefone residencial, comercial, celular, email);
  • referências pessoais e profissionais (nome e telefone);
  • eventualmente, documentos que comprovem seu estado civil, sua relação de dependentes, seu nível de escolaridade, a propriedade de bens, etc.

Ao obter esses dados, a instituição se compromete a mantê-los sob sigilo.

A análise de restrições

Essa etapa é bem conhecida. A instituição verifica se o CPF do solicitante consta em cadastros de restrição de crédito como os da Serasa, do SCPC, da própria instituição e outros.

O resultado dessa pesquisa coloca o solicitante em uma das seguintes situações:

  • Sem restrições: quando não houver nenhum registro negativo;
  • Com alertas: quando há registros antigos já encerrados; nesse caso, normalmente a aprovação do crédito não é negada de imediato, mas a instituição adota um maior rigor nas demais análises;
  • Com restrições: quando o solicitante tem pendências de crédito junto a outras instituições, como atrasos, renegociações, inadimplência, protestos, inclusão no cadastro de emitentes de cheques sem fundo, ações de busca e apreensão e outras;
  • Com impeditivos: quando o solicitante está impedido de tomar crédito devido a bloqueio de bens, impedimentos do Sistema Financeiro da Habitação ou outras determinações legais.

A análise do perfil de crédito (score)

Juntos, os dados cadastrais e a pesquisa de retrições fornecem diversos indicadores, cada um com seu grau de importância, para a definição do perfil de crédito do solicitante.

Cada indicador recebe uma avaliação. Ao final, a composição de todos eles leva a uma nota (score) dada ao solicitante, que reflete a visão da instituição quanto à probabilidade dele quitar o compromisso.

Indicadores cadastrais

Alguns indicadores são avaliados de acordo com as categorias nas quais o solicitante se enquadra.

Por exemplo, imagine que o solicitante pertença a uma determinada faixa etária. Se os tomadores de crédito dessa mesma faixa etária têm um bom histórico em relação à quitação dos empréstimos contratados, o solicitante receberá uma nota compatível com essa boa reputação. Claro que se a reputação não for boa ele receberá uma nota correspondente.

A faixa etária é só um exemplo, vários outros itens podem ser considerados, como a faixa de renda, a região em que reside, seu estado civil, a categoria profissional a que pertence, etc.

Indicadores históricos

Outros indicadores dizem respeito à vida financeira do próprio solicitante. São dados como:

  • a quantidade de vezes em que o solicitante buscou crédito no mercado;
  • quantas dessas buscas foram em bancos e quantas foram em financeiras;
  • valor das dívidas em aberto;
  • existência de restrições de crédito ou ações judiciais contra o solicitante;
  • etc.

A análise do comprometimento da renda

Nessa etapa é feita a análise da capacidade de pagamento do solicitante. Os comprovantes de renda são as principais fontes de informação. A preocupação da instituição é assegurar-se de que as parcelas para a quitação do empréstimo irão caber dentro do orçamento do solicitante. Em geral, considera-se razoável que o valor da prestação mensal para a quitação do débito não ultrapasse 20 ou 30 por cento da renda, mas isso pode variar de uma instituição para outra.

A instituição terá um cuidado adicional com solicitantes que não tenham rendimentos fixos no mês. Nesses casos, ela poderá analisar períodos mais longos e dados mais detalhados, chegando a uma espécie de balanço patrimonial do solicitante.

A análise patrimonial

Em determinadas modalidades de crédito, bens podem ser oferecidos como garantia, o que pode resultar em redução de riscos para a instituição e menor taxa de juros para o solicitante. Mas a instituição precisa antes avaliar esses bens para certificar-se de que eles estejam em situação regular e também para determinar qual é o seu real valor dentro da negociação.

Concluindo: crédito é sinônimo de credibilidade

Além de todas essas análises, a conjuntura econômica pode influir na decisão quanto à concessão do crédito ou não. Cenários mais favoráveis, com a economia aquecida, tendem a facilitar a tomada de crédito. O oposto ocorre para momentos de estagnação ou retração do mercado.

Outro ponto importante é que, como dito no início, embora as etapas de análise acima apresentadas sejam comuns a todas as instituições financeiras, cada uma adota seus próprios parâmetros de avaliação. Assim, por exemplo, o que para uma instituição pode representar uma decisão de negar o crédito ao solicitante, para outra pode significar uma aprovação com uma taxa mais elevada.

Do lado do solicitante, conhecer um pouco mais sobre os princípios que direcionam a análise de crédito pode e deve levá-lo a cercar-se de alguns cuidados como evitar a negativação de seu CPF, manter comprovantes atualizados e claros, manter uma boa relação com as instituições financeiras, controlar suas finanças e demonstrar uma boa capacidade de pagamento, por exemplo.

Não custa lembrar que crédito é sinônimo de credibilidade. A análise de crédito é, essencialmente, uma análise da credibilidade que o solicitante passa para a instituição em termos de comportamento financeiro.

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